Petróleo no Ceará? ANP confirma descoberta surpreendente em sítio no interior

A confirmação de petróleo no Ceará movimentou moradores do interior do estado e chamou atenção de especialistas de todo o país. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) confirmou oficialmente que o líquido escuro encontrado em um sítio na cidade de Tabuleiro do Norte é, de fato, petróleo cru.

A descoberta aconteceu de forma inesperada após o agricultor Sidrônio Moreira perfurar o solo da própria propriedade em busca de água para abastecer a família. Em vez de água, um líquido preto, viscoso e com forte cheiro de combustível começou a jorrar do poço, despertando curiosidade e preocupação.

Segundo a ANP, os testes físico-químicos concluídos nesta semana comprovaram que a substância encontrada no terreno possui características compatíveis com petróleo bruto. O resultado oficial foi encaminhado ao proprietário da área e também para a Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Ceará (Semace), que poderá avaliar possíveis impactos ambientais.

O caso ganhou repercussão nacional após vídeos gravados pela família mostrarem o momento em que o líquido começou a sair do solo durante a perfuração de um poço artesiano. A propriedade fica em uma região próxima à Bacia Potiguar, uma das áreas petrolíferas mais conhecidas do Nordeste, localizada entre o Ceará e o Rio Grande do Norte.

O que mais chamou atenção dos técnicos foi a profundidade considerada baixa da perfuração. O material foi encontrado a cerca de 40 metros, algo incomum para ocorrências envolvendo petróleo.

De acordo com a própria ANP, o caso causou “espanto” entre os especialistas justamente pela possibilidade de o petróleo surgir em uma área rasa e fora dos padrões tradicionais de exploração.

Após a confirmação, a agência abriu um processo administrativo para avaliar o potencial da região, estudar a formação geológica e verificar se existe viabilidade econômica para exploração comercial no futuro. Apesar disso, o órgão destacou que não há prazo para conclusão das análises e que a descoberta não garante exploração imediata.

Enquanto os estudos avançam, a área deverá permanecer isolada. A ANP orientou que os moradores evitem contato com o material e que novas coletas não sejam realizadas sem autorização técnica.

A história ganhou ainda mais repercussão porque a família de Sidrônio enfrentava dificuldades no acesso à água. Segundo relatos, a propriedade não possuía abastecimento adequado, e o agricultor decidiu perfurar o terreno justamente para tentar resolver o problema. Após a repercussão do caso, uma antiga adutora voltou a atender a residência da família.

O Instituto Federal do Ceará (IFCE) acompanhou a situação desde o início e auxiliou no contato com a ANP. Antes mesmo da confirmação oficial, análises preliminares feitas pela instituição já indicavam que a substância possuía características semelhantes às de petróleo encontrado em jazidas do Rio Grande do Norte.

Mesmo com a descoberta, o petróleo encontrado não pertence ao agricultor. Pela Constituição Federal, o subsolo e os recursos minerais são propriedades da União. Porém, caso a área venha a ser explorada comercialmente no futuro, o dono do terreno poderá receber participação financeira prevista em lei, que pode chegar a até 1% da produção.

Especialistas explicam que o caminho até uma possível exploração comercial ainda é longo. A ANP precisará analisar o tamanho da reserva, a qualidade do petróleo, os custos de operação e o impacto ambiental antes de decidir se a área poderá integrar futuros blocos de exploração.

A descoberta inédita transformou a rotina da pequena propriedade rural e colocou Tabuleiro do Norte no centro das atenções nacionais. Enquanto isso, moradores acompanham com expectativa os próximos passos das investigações técnicas sobre o possível potencial petrolífero da região.

 Foto: Gabriela Feitosa/g1

Fonte: G1