A pré-campanha de Flávio Bolsonaro entrou em confronto com o instituto Atlas/Bloomberg após a divulgação de uma pesquisa eleitoral que apontou queda nas intenções de voto do senador em um eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A equipe do parlamentar pediu a suspensão do levantamento, alegando possível influência indevida sobre os entrevistados.
Segundo a representação apresentada pela defesa de Flávio Bolsonaro, o questionário utilizado pelo instituto teria associado diretamente o senador ao banqueiro Daniel Vorcaro e ao escândalo envolvendo o extinto Banco Master. Para os advogados da pré-campanha, isso teria criado uma percepção negativa capaz de impactar o resultado final da pesquisa.
A polêmica ganhou força após a divulgação de um áudio em que Flávio Bolsonaro aparece pedindo recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, produção inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
De acordo com os dados do levantamento Atlas/Bloomberg, Flávio Bolsonaro caiu de 47,8% para 41,8% das intenções de voto em um cenário de segundo turno contra Lula, que apareceu com 48,9%. A pesquisa ouviu 5.032 eleitores entre os dias 13 e 18 de maio, período em que o caso envolvendo o áudio ganhou ampla repercussão nacional.
A equipe jurídica do senador afirma que o instituto extrapolou os limites de neutralidade esperados em pesquisas eleitorais. Segundo a ação protocolada, os entrevistados foram submetidos a conteúdos que poderiam induzir respostas negativas antes das perguntas relacionadas à imagem e à viabilidade eleitoral do pré-candidato.
Conforme o questionário registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os participantes responderam a 48 perguntas. Na etapa final, os entrevistados assistiram a um vídeo com o áudio envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. O sistema utilizado permitia que os participantes demonstrassem reação positiva ou negativa ao conteúdo apresentado.
A defesa da pré-campanha classificou o método como uma possível “manipulação” da opinião pública. Os advogados sustentam que houve estímulos capazes de influenciar diretamente a percepção dos eleitores antes das perguntas mais sensíveis do levantamento.
Além do pedido para suspender a divulgação da pesquisa, a equipe do senador também solicitou apuração de eventual crime eleitoral relacionado ao formato adotado pelo instituto.
O caso ampliou o debate político em torno da influência de pesquisas eleitorais durante o período pré-eleitoral e da repercussão envolvendo a relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Até o momento, o instituto Atlas/Bloomberg não divulgou posicionamento oficial sobre os questionamentos apresentados pela defesa do parlamentar.
A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-06939/2026, com margem de erro de um ponto percentual e nível de confiança de 95%.
Foto: Reprodução / CNN
Fonte: Bacci Notícias