Clima esquentou: Batalha judicial entre Lula e Flávio Bolsonaro explode no TSE antes da hora; entenda

A corrida para o Palácio do Planalto ainda nem começou oficialmente, mas os bastidores de Brasília já estão pegando fogo. Uma verdadeira batalha judicial entre Lula e Flávio Bolsonaro tomou conta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), registrando um volume recorde de processos para o período pré-eleitoral.

Entre janeiro e abril de 2026, o TSE foi inundado com 59 representações eleitorais. Para se ter uma ideia do tamanho da tensão atual, no mesmo período das eleições de 2022, o tribunal havia recebido apenas 14 ações. O PL (partido de Flávio) lidera a ofensiva com 26 processos, seguido de perto pelo PT (de Lula), com 21 reclamações por meio de sua federação.

Mais de 90% dessas ações apontam para um mesmo crime: propaganda eleitoral antecipada, quando há pedido explícito de votos antes do prazo legal, que este ano começa em 16 de agosto.

O novo vilão das eleições: Guerra de Inteligência Artificial e Deepfakes

Desta vez, a batalha judicial entre Lula e Flávio Bolsonaro ganhou um ingrediente tecnológico inédito e perigoso: a inteligência artificial. O uso de conteúdos sintéticos já é o tema central de pelo menos seis processos que tramitam na Corte.

“A Grande Quadrilha”: O PT acionou o TSE contra um vídeo do PL que faz uma paródia do seriado A Grande Família. A acusação é que o material usou deepfakes e imagens geradas por IA para retratar o presidente Lula, a primeira-dama Janja e seu filho Fábio Luís como membros de uma organização criminosa, sem os rótulos obrigatórios de aviso de IA. A multa pedida chega a R$ 30 mil.

O caso “Dona Maria”: Outro processo foca em uma influenciadora digital fictícia, uma mulher negra de 50 anos criada por IA por um motorista de aplicativo. Partidos de esquerda exigem a derrubada dos perfis da personagem, alegando que ela espalha desinformação e falas descontextualizadas sobre políticos da base governista.

De “Picanha 01” a jogo de cartas: As peças mais inusitadas do tribunal

A criatividade das campanhas tem levado casos curiosos aos gabinetes dos ministros. A disputa saiu dos palanques e foi parar nas prateleiras dos comércios e nas telas dos celulares:

A Picanha do “Zero Um”: O PT processou Flávio Bolsonaro e o Frigorífico Goiás por causa do corte de carne “Picanha 01”. O rótulo trazia o senador com a faixa presidencial e a bandeira do Brasil, além de um jingle no Instagram sugerindo Flávio como o “novo presidente”. O PT alega que comércios são bens de uso comum, onde a propaganda é proibida.

Confusão de Identidade: O PL contra-atacou após perfis de esquerda publicarem fotos de Flávio ao lado de um homem, afirmando se tratar de “TH Joias”, lavador de dinheiro do Comando Vermelho. Na verdade, o homem era um funcionário público do Rio. O PL acusa a oposição de tentar criar uma proximidade artificial com o crime organizado.

O Truque de Mágica: O PL também acionou o TSE contra um vídeo impulsionado pelo PT no Facebook que usa um jogo de cartas (apelidado de “Bolsomaster”) para associar, por meio de animações e trilhas de suspense, o senador Flávio Bolsonaro a supostos escândalos financeiros com o Banco Master.

Escolas de samba e o futuro das decisões no TSE

Até o momento, o plenário do tribunal só julgou ações envolvendo o Carnaval de 2026. O TSE rejeitou, por unanimidade, processos do Partido Novo e do Partido Missão que pediam a condenação de Lula e do PT por propaganda antecipada no desfile da escola Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente. O Novo pedia uma multa astronômica de R$ 9,65 milhões, que foi negada.

Atualmente, todos os 59 processos estão sob a relatoria de uma única magistrada: a ministra Estela Aranha, indicada por Lula em 2025. Como o mandato da ministra substituta Vera Lúcia terminou em fevereiro, Aranha centraliza as decisões até que o ministro Nunes Marques, novo presidente do TSE, indique novos juízes auxiliares.

A expectativa interna é que o tribunal passe a julgar esse montante de processos em lote nos próximos meses, definindo as regras de engajamento antes que o horário eleitoral gratuito comece a rodar.

Fonte: G1

Foto: Esa Alexander/Reuters e Evaristo SA/AFP