Justiça da Bahia aceitou a denúncia do Ministério Público da Bahia (MP-BA) e tornou réus quatro policiais militares investigados pela morte de dois jovens durante uma ação policial em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador. A decisão representa um novo capítulo no caso, que ganhou grande repercussão após a investigação apontar inconsistências na versão apresentada pelos agentes sobre o ocorrido.
O episódio aconteceu em 8 de julho de 2025, no loteamento Canto dos Pássaros, e envolve as mortes de Gilson Jardas de Jesus Santos, de 18 anos, e Luan Henrique Rocha de Souza, de 20. As investigações conduzidas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público indicaram elementos que contradizem a narrativa inicial da Polícia Militar.
Justiça da Bahia aceita denúncia contra quatro policiais
Com o recebimento da denúncia, passam à condição de réus o subtenente Jomário Prata Gois Santana e os soldados Fábio da Silva Menezes, Reinilson da Silva Brito e Danilo Silva de Santana.
Segundo o Ministério Público, o subtenente responderá por duplo homicídio e fraude processual. A acusação sustenta que ele efetuou os disparos que mataram os dois jovens e, posteriormente, teria alterado a cena do crime para sustentar uma versão considerada falsa pelos investigadores.
Já os outros três policiais responderão pelo crime de fraude processual, sob a acusação de participação na suposta alteração do local da ocorrência e na construção da narrativa de que teria havido confronto armado.
Investigação apontou contradições na versão da ocorrência
Na época dos fatos, a 59ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM/Abrantes) informou que os jovens reagiram à abordagem policial e atiraram contra a equipe, que revidou. A corporação também afirmou que armas foram apreendidas com as vítimas.
Entretanto, o inquérito da Polícia Civil reuniu evidências que colocaram essa versão em dúvida.
Entre os principais elementos apontados pela investigação estão:
- vestígios de sangue e marcas de disparos encontrados dentro da residência onde estavam os jovens;
- ausência de sinais de tiros na parte externa do imóvel;
- exames residuográficos sem identificação de partículas de pólvora nas mãos das vítimas;
- inexistência de marcas de disparos na viatura utilizada pelos policiais durante a ocorrência.
De acordo com o Ministério Público, esses indícios sustentaram a denúncia posteriormente aceita pela Justiça da Bahia.
Família diz que decisão representa alívio
Pai de Luan Henrique, Jaimilson de Souza afirmou que a decisão judicial renova a esperança da família na Justiça, embora reconheça que nenhuma medida será capaz de reparar a perda do filho.
Segundo ele, as imagens registradas no caso reforçam a convicção da família de que os fatos ocorreram de maneira diferente da versão inicialmente apresentada pelos policiais.
Jaimilson também questionou a ausência das armas que, segundo a versão oficial divulgada à época, teriam sido utilizadas pelos jovens durante o suposto confronto.
O pai relatou ainda que sempre orientou o filho a colaborar em abordagens policiais para evitar situações de risco, mas lamentou que isso não tenha impedido a tragédia. Luan deixou esposa grávida e um filho de dois anos.
Apesar da dor, ele afirmou que o recebimento da denúncia representa um importante passo para a responsabilização dos envolvidos.
“Nada vai trazer a vida do meu filho de volta, mas é um conforto para nossa família saber que a Justiça está sendo feita”, declarou.
Caso segue para fase de instrução
Com a denúncia aceita pela Justiça da Bahia, tem início a fase de instrução processual, quando acusação e defesa poderão apresentar provas, testemunhas e demais elementos que serão analisados pelo Judiciário antes de uma decisão definitiva sobre a responsabilidade criminal dos policiais.
O processo seguirá sua tramitação regular até o julgamento, enquanto as investigações e os elementos reunidos permanecem sob análise da Justiça.
Fonte: g1
Foto: Reprodução/Redes Sociais