O último passe para Valdenor foi uma das cenas mais emocionantes do velório do jogador de futebol amador Valdenor da Silva, de 28 anos, morto com um golpe de faca na zona rural de Padre Marcos, no Sul do Piauí. Amigos, familiares e companheiros do Barra F.C. transformaram a despedida em uma homenagem marcada por futebol, amizade e saudade.
A cerimônia aconteceu na manhã de terça-feira (11), durante o velório e o cortejo até o local do sepultamento. Vestidos com as camisas do time, os amigos levaram bolas, troféus, a camisa usada por Valdenor e outros símbolos que representavam a trajetória dele dentro e fora dos campos.
Amigos fazem o último passe para Valdenor
Vídeos registrados por moradores mostram jogadores do Barra F.C. reunidos diante do caixão. Em uma cena que emocionou quem acompanhava a despedida, eles trocaram passes com uma bola e fizeram para Valdenor o que chamaram de seu “último passe”.
A homenagem foi uma maneira encontrada pelos amigos para se despedir de alguém que compartilhava com eles muito mais do que partidas de futebol.
A bola, a camisa, os troféus e o uniforme do clube passaram a representar as memórias de uma vida que terminou de maneira trágica e inesperada.
Durante o cortejo, os jogadores seguiram juntos até o local do sepultamento, carregando não apenas objetos relacionados ao esporte, mas também a lembrança de um companheiro que fazia parte da história do grupo.
Futebol virou símbolo de amizade e despedida
Para os amigos de Valdenor, o futebol esteve presente nos momentos de alegria e também acabou se tornando parte da despedida.
O último passe para Valdenor ganhou um significado especial justamente por representar aquilo que os unia: a paixão pelo esporte e a amizade construída ao longo dos anos.
Em vez de uma despedida marcada apenas pelo silêncio da tristeza, os companheiros escolheram homenageá-lo com aquilo que fazia parte da vida dele.
A cena também mostra como o futebol amador pode criar vínculos que ultrapassam os limites do campo. Times formados por amigos se tornam, muitas vezes, espaços de convivência, companheirismo e construção de memórias.
Jogador morreu após ser atingido por faca
Valdenor morreu na madrugada de segunda-feira (10), no povoado Barra, após ser atingido por um golpe de faca na região lateral externa da perna esquerda.
Ele chegou a ser socorrido e levado ao Hospital Municipal de Padre Marcos, mas não resistiu aos ferimentos.
A companheira dele, de 31 anos, foi presa em flagrante suspeita do crime. Posteriormente, a Justiça converteu a prisão em preventiva após audiência de custódia.
Segundo a Polícia Civil, os dois mantinham um relacionamento havia cerca de 11 anos e tinham um filho de 7 anos. A criança não estava na residência no momento do ocorrido.
Em depoimento, a mulher afirmou que houve uma discussão motivada por ciúmes após o casal retornar de um clube da região. Ela negou ter desferido a facada, mas confirmou que houve uma discussão e contato físico entre os dois.
De acordo com o delegado Marcelo Barreto, imagens obtidas nas proximidades da residência mostram a suspeita saindo correndo do imóvel e visivelmente alterada após o crime.
A Polícia Civil informou que o procedimento investigativo principal foi concluído e encaminhado ao Poder Judiciário, enquanto diligências complementares continuam.
Uma despedida que ficará na memória
A morte de Valdenor deixou familiares e amigos diante de uma dor difícil de explicar. Aos 28 anos, ele teve a vida interrompida de maneira repentina, deixando para trás pessoas que agora precisam aprender a conviver com a ausência.
No entanto, o último passe para Valdenor mostrou que uma pessoa pode permanecer presente mesmo depois da partida, através das histórias, das amizades e das lembranças compartilhadas.
Naquele momento, a bola não era apenas uma bola. Era uma forma de dizer adeus. A camisa não era apenas um uniforme. Era uma lembrança. E cada passe representava um pouco da história que Valdenor construiu ao lado dos companheiros.
Talvez seja essa a força de uma verdadeira amizade: quando alguém parte, aqueles que ficam encontram maneiras de manter viva a memória.
E, para os amigos do Barra F.C., a despedida terminou como uma última partida simbólica — com a bola passando de mão em mão até chegar ao companheiro que, desta vez, não poderia mais devolvê-la.
O último passe foi para Valdenor, mas as lembranças dele continuarão sendo compartilhadas por todos que tiveram a oportunidade de caminhar ao seu lado.
Fonte: G1
Foto: InfoNews