O governo brasileiro informou nesta quinta-feira (13) que iniciou o processo para aplicar medidas de reciprocidade contra os Estados Unidos em resposta às tarifas impostas pelo governo norte-americano sobre produtos brasileiros.
A medida tem como base a Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2025. A legislação permite que o Brasil adote medidas semelhantes às impostas por outros países.
Brasil inicia análise contra tarifas dos EUA
Em nota, o governo informou que começou a analisar o pedido de enquadramento das medidas adotadas pelos Estados Unidos com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana.
O Ministério das Relações Exteriores também comunicará oficialmente o governo dos Estados Unidos sobre o início do procedimento e solicitará a abertura de consultas diplomáticas.
A expectativa do Itamaraty é que a Embaixada do Brasil em Washington faça a comunicação nesta sexta-feira (14) aos órgãos envolvidos, incluindo o Departamento de Estado e o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).
Governo brasileiro prioriza negociação
Apesar de iniciar o processo de reciprocidade, o governo brasileiro afirmou que pretende priorizar o diálogo para tentar reduzir ou eliminar os efeitos das tarifas.
Segundo o Executivo, as consultas diplomáticas têm justamente o objetivo de buscar uma solução negociada antes da adoção de eventuais contramedidas.
O governo também afirma que apresentou aos Estados Unidos argumentos para contestar as acusações de práticas comerciais consideradas desleais.
Brasil já acionou a OMC
Além da iniciativa envolvendo a Lei da Reciprocidade, o Brasil levou a disputa comercial à Organização Mundial do Comércio (OMC).
Os Estados Unidos aceitaram o pedido brasileiro de consultas e informaram estar disponíveis para discutir o assunto com representantes do governo brasileiro.
O Brasil questiona principalmente as tarifas adicionais aplicadas aos seus produtos e sustenta que as medidas norte-americanas são unilaterais e incompatíveis com compromissos assumidos na organização internacional.
Entenda o tarifaço dos Estados Unidos
A disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos passou por diferentes etapas nos últimos meses. O governo de Donald Trump anunciou tarifas adicionais sobre produtos brasileiros, incluindo medidas relacionadas ao aço e ao alumínio.
Em julho de 2026, entrou em vigor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, após uma investigação conduzida pelos Estados Unidos com base na Seção 301 da legislação comercial do país.
Posteriormente, uma nova tarifa de 12,5% também passou a ser aplicada a produtos brasileiros.
Embora milhares de itens tenham ficado fora das tarifas adicionais, o chamado tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil provocou preocupação entre setores da economia brasileira e aumentou a tensão comercial entre os dois países.
Lula discutiu medidas com equipe diplomática
Antes da divulgação da medida, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e com o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim.
O encontro tratou justamente das medidas que podem ser adotadas pelo Brasil diante das tarifas impostas pelo governo norte-americano.
Por enquanto, o governo brasileiro afirma que continuará priorizando a negociação e as consultas diplomáticas, enquanto analisa os próximos passos previstos pela Lei da Reciprocidade Econômica.
Fonte: G1
Foto: REUTERS/Elizabeth Frantz