PM acusado de matar estudante de medicina é preso e aguardará júri popular em São Paulo

PM acusado de matar estudante de medicina foi preso preventivamente nesta segunda-feira (3), em São Paulo. O soldado Bruno Carvalho do Prado, um dos réus pela morte de Marco Aurélio Cardenas Acosta, foi detido pela Corregedoria da Polícia Militar e encaminhado ao Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte da capital paulista, para cumprir determinação da Justiça.

A prisão ocorre poucos meses após a decisão que levou Bruno Carvalho do Prado e o também policial militar Guilherme Augusto Macedo a responderem por homicídio qualificado perante o Tribunal do Júri. Guilherme é apontado como o autor do disparo que matou o estudante de medicina em outubro de 2024.

Justiça decretou prisão preventiva do policial

A ordem de prisão foi expedida pela juíza Luiza Torggler Silva, da 4ª Vara do Júri, que considerou novas informações envolvendo o policial.

Segundo a decisão, Bruno é investigado em outro procedimento por supostos crimes de ameaça e lesão corporal contra a própria esposa. Para a magistrada, a existência dessa investigação, somada à gravidade da acusação relacionada à morte de Marco Aurélio, demonstra risco à ordem pública e reforça a necessidade da prisão preventiva.

Além da prisão, a Justiça determinou a apreensão das armas de fogo que eventualmente estivessem em posse do policial.

Defesa contesta decisão e anuncia habeas corpus

Os advogados de Bruno Carvalho do Prado criticaram a decisão judicial e informaram que irão apresentar um pedido de habeas corpus para tentar reverter a prisão.

Em nota, a defesa afirmou que a medida representa uma tentativa de vingança e sustentou que os fatos relacionados à investigação de violência doméstica não possuem relação com a ocorrência envolvendo o estudante de medicina.

Os advogados também disseram que pretendem apurar como representantes da família da vítima tiveram acesso aos documentos da investigação, que tramita sob segredo de Justiça.

Pedido foi feito pela família da vítima

A prisão preventiva havia sido solicitada pelos advogados da família de Marco Aurélio.

No pedido, a assistência de acusação alegou que Bruno teria descumprido medidas cautelares impostas anteriormente pela Justiça e que novas denúncias demonstrariam comportamento incompatível com a manutenção da liberdade durante o processo.

Entre os documentos apresentados está o relato da esposa do policial, que afirmou ter sofrido ameaças de morte durante os últimos dois anos.

Ela também declarou à polícia que sofreu agressões físicas após comunicar o desejo de se separar, além de ter deixado a residência por receio de novos episódios de violência.

Relembre a morte de Marco Aurélio

Marco Aurélio Cardenas Acosta morreu na madrugada de 20 de outubro de 2024, durante uma abordagem policial na Vila Mariana, em São Paulo.

De acordo com as investigações, o estudante teria dado um tapa no retrovisor de uma viatura antes de correr para um hotel onde estava hospedado.

Imagens de câmeras de segurança mostram os dois policiais entrando no estabelecimento. Durante a abordagem, Bruno Carvalho do Prado aparece chutando o estudante. Em seguida, Marco Aurélio segura a perna do policial, que cai. Logo depois, Guilherme Augusto Macedo efetua um disparo à queima-roupa que atinge o abdômen da vítima.

O jovem foi socorrido ao Hospital Ipiranga, mas não resistiu aos ferimentos.

Júri popular ainda não tem data definida

Em fevereiro, a Justiça decidiu que Bruno Carvalho do Prado e Guilherme Augusto Macedo serão submetidos a júri popular pelo crime de homicídio qualificado por motivo torpe e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima.

Apesar da decisão, o julgamento ainda não teve data marcada.

Enquanto Bruno permanece preso preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes, Guilherme Augusto Macedo continua respondendo ao processo em liberdade.

Fonte: G1

 Foto: Reprodução/TV Globo