Mulher de 37 anos que fingia ser adolescente enganou casal da mesma faixa etária em SC

O caso da mulher que fingia ser adolescente de 12 anos em Santa Catarina continua repercutindo em todo o Brasil após novos detalhes divulgados pela Polícia Civil. Amanda Maria Souza de Oliveira, que completa 38 anos nesta semana, foi presa após ser acusada de aplicar golpes ao assumir uma identidade falsa e convencer um casal de Joinville a acolhê-la como filha adotiva durante mais de um ano.

A história da mulher que fingia ser adolescente de 12 anos chamou a atenção pela complexidade da farsa e pelo impacto emocional causado nas vítimas. Segundo as investigações, Amanda teria criado uma rede de mentiras para sustentar a identidade fictícia e obter benefícios materiais e afetivos de pessoas sensibilizadas com sua suposta história de vida.

Casal acolheu suspeita acreditando que ela tinha 12 anos

De acordo com a Polícia Civil, Amanda viveu durante cerca de 14 meses com uma família de Joinville, no Norte de Santa Catarina. O casal, que possui idade entre 40 e 50 anos, acreditava estar ajudando uma adolescente em situação de vulnerabilidade.

Segundo o delegado Rodrigo Bueno Gusso, a suspeita procurou uma igreja da cidade relatando ter fugido de maus-tratos familiares. A narrativa emocionou membros da comunidade religiosa, que passaram a buscar apoio para acolhê-la.

A investigação revelou posteriormente que a mulher tem 37 anos e é natural do Ceará, diferentemente das informações que apresentava às vítimas.

Vida de adolescente incluía brinquedos, festas e quarto decorado

Durante o período em que permaneceu na residência da família, a suspeita recebeu tratamento semelhante ao destinado a uma adolescente.

Conforme a investigação, ela ganhou um quarto decorado com itens infantis, brinquedos, presentes e até mesmo uma festa de aniversário temática de 12 anos.

Além disso, recebia cuidados constantes e tinha acesso a diversos benefícios proporcionados pela família acolhedora.

Segundo a polícia, o caso envolve um forte componente de manipulação emocional.

“Ela conseguiu criar uma dependência afetiva e emocional na família”, afirmou o delegado responsável pelas investigações.

Polícia aponta construção de personagem para sustentar golpe

As apurações mostram que Amanda desenvolveu um personagem complexo para convencer as vítimas.

Ela alegava possuir autismo e afirmava que sua aparência adulta seria consequência do uso forçado de hormônios durante a infância. Também relatava supostos episódios traumáticos para justificar seu comportamento.

Segundo os investigadores, a mulher utilizava mamadeiras, chupetas, brinquedos e simulava comportamentos infantis para reforçar a falsa identidade.

A polícia também apurou que ela fingia crises emocionais, alterava o tom de voz e demonstrava comportamentos de dependência afetiva para despertar proteção e cuidado por parte das vítimas.

Família descobriu golpe após pesquisa na internet

A fraude começou a ser desvendada quando uma familiar do casal passou a desconfiar da história apresentada pela suposta adolescente.

Após realizar pesquisas na internet, ela encontrou relatos semelhantes envolvendo a mesma mulher em outros estados brasileiros.

A partir dessas informações, a Polícia Civil iniciou uma investigação mais aprofundada e confirmou que Amanda utilizava identidade falsa.

A prisão ocorreu no início deste mês e foi convertida em preventiva pela Justiça.

Golpe teria sido aplicado em vários estados

Em depoimento à polícia, Amanda confessou ter utilizado o mesmo método em diferentes regiões do país.

Segundo as autoridades, há registros de casos semelhantes no Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás e Ceará.

Em Santa Catarina, a polícia também investiga possíveis ocorrências relacionadas à suspeita em Florianópolis e Chapecó.

O caso ganhou ainda mais repercussão após vítimas de outros estados relatarem experiências parecidas e detalharem a forma como a mulher conquistava a confiança das famílias.

Mulher pesquisava comportamentos infantis na internet

Uma das revelações que mais chamou a atenção dos investigadores foi a informação de que Amanda estudava na internet comportamentos de adolescentes e pessoas com transtorno do espectro autista.

Segundo relatos de outras vítimas, ela observava reações, falas e atitudes para reproduzir características que ajudassem a sustentar a personagem criada.

A Polícia Civil concluiu o inquérito inicial e indiciou a suspeita pelos crimes de falsa identidade e estelionato.

Enquanto as investigações continuam, o caso da mulher que fingia ser adolescente de 12 anos segue gerando debates sobre manipulação emocional, golpes afetivos e os impactos psicológicos causados às vítimas que acreditaram estar ajudando uma jovem em situação de vulnerabilidade.

Fonte: G1

Foto: Reprodução/ Arquivo Pessoal