A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra continuará presa após o Tribunal de Justiça de São Paulo negar um pedido de habeas corpus apresentado pela defesa. A decisão mantém a prisão preventiva decretada durante a operação que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
O caso envolvendo Deolane Bezerra ganhou grande repercussão nacional nos últimos dias e se tornou um dos assuntos mais comentados nas redes sociais e nos bastidores policiais. A influenciadora está detida na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior paulista, desde a última quinta-feira (21).
Justiça de SP mantém prisão preventiva de Deolane
Segundo informações do processo, os desembargadores negaram o pedido de liberdade em caráter liminar. Agora, os advogados aguardam o julgamento definitivo do habeas corpus e estudam recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A decisão do Tribunal de Justiça ocorreu um dia após o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), também rejeitar um pedido de prisão domiciliar feito pela defesa da influenciadora.
Na decisão, Dino afirmou não identificar “manifesta ilegalidade” que justificasse a revogação imediata da prisão preventiva.
Polícia investiga lavagem de dinheiro ligada ao PCC
De acordo com a Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo, a investigação apura um esquema de lavagem de capitais associado ao PCC. Os investigadores afirmam que empresas de fachada e contas bancárias de terceiros teriam sido usadas para ocultar a origem de recursos da facção criminosa.
Segundo o inquérito, duas contas relacionadas a Deolane Bezerra teriam recebido movimentações financeiras consideradas suspeitas.
A polícia sustenta que o grupo utilizava depósitos fracionados, empresas de transporte e contas de pessoas físicas para dificultar o rastreamento do dinheiro.
Ligação com familiares de Marcola
Os investigadores também apontam uma suposta ligação entre Deolane e pessoas ligadas à família de Marcola, considerado líder da facção criminosa.
Segundo a investigação, uma das conexões seria Paloma Sanches Herbas Camacho, apontada como integrante da estrutura financeira investigada.
A polícia afirma que Paloma atuaria na transmissão de ordens e movimentações financeiras ligadas ao PCC, enquanto Deolane teria participação no núcleo de lavagem de dinheiro, conferindo aparência de legalidade aos recursos ilícitos.
Defesa nega irregularidades
A influenciadora nega todas as acusações. Em declarações recentes, afirmou que foi presa apenas por exercer a advocacia em um serviço pelo qual teria recebido R$ 24 mil de honorários.
Deolane também declarou nas redes sociais e por meio de seus advogados que acredita que “a justiça será feita”.
A defesa questiona a condução da investigação e argumenta que não há provas concretas de participação da influenciadora em organização criminosa.
Investigação começou após apreensão de bilhetes em presídio
Segundo as autoridades, a investigação teve início em 2019 após agentes penitenciários encontrarem bilhetes manuscritos escondidos em celas e em uma caixa de esgoto da Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior paulista.
Os documentos continham ordens atribuídas ao PCC, referências a movimentações financeiras e contatos de integrantes da facção.
A partir das análises, os investigadores identificaram uma transportadora de cargas apontada como empresa utilizada para movimentar recursos do grupo criminoso.
Influenciadora já havia sido alvo de outra operação
Esta é a segunda prisão de Deolane Bezerra em menos de dois anos. Em 2025, ela já havia sido investigada em Pernambuco em uma operação relacionada à lavagem de dinheiro envolvendo empresas de apostas online.
Na ocasião, a investigação apontava movimentações milionárias envolvendo imóveis, carros de luxo e empresas associadas ao setor de bets.
Caso segue sob sigilo e pode ter novos desdobramentos
A Polícia Civil informou que as investigações continuam e que novas diligências ainda podem ser realizadas. Além de Deolane, familiares de integrantes do PCC, operadores financeiros e empresários também foram alvos da operação.
O caso segue em segredo de Justiça e ainda não há previsão para julgamento definitivo ou possível denúncia formal do Ministério Público.
Fonte: G1
Foto: Reprodução/TV Globo e Redes Sociais